Povo pressionou e capoto na Igreja de Portela das Cabras foi retirado
Pressão da população leva à retirada do capoto na Igreja de Portela das Cabras, mas recuperação dos azulejos poderá ser difícil
A forte contestação popular e a ampla mediatização das obras de reabilitação da Igreja de Portela das Cabras, no concelho de Vila Verde, levaram à retirada do sistema de isolamento térmico (capoto) que estava a ser aplicado sobre a fachada revestida por azulejos de valor histórico.
A intervenção tinha gerado uma onda de indignação entre a população, depois de os trabalhos terem começado a cobrir um dos elementos mais emblemáticos do templo. Muitos fiéis consideraram que a obra colocava em causa um importante património arquitetónico e cultural da freguesia, defendendo que uma decisão desta dimensão deveria ter sido previamente debatida com a comunidade.
Nos últimos dias, a polémica ganhou grande visibilidade, tanto nas redes sociais como na comunicação social, levando a uma crescente pressão pública para que a intervenção fosse travada. Entretanto, começaram os trabalhos de remoção do capoto colocado sobre a fachada.
Contudo, apesar da retirada do revestimento, a recuperação do painel de azulejos poderá revelar-se uma tarefa complexa. Segundo foi possível apurar, muitos dos azulejos ficaram cobertos por argamassa e outros materiais utilizados na aplicação do capoto, o que poderá dificultar significativamente os trabalhos de limpeza e reabilitação, sem que seja possível garantir, para já, que o conjunto possa recuperar o seu estado original.

Desde o início da controvérsia, vários habitantes manifestaram receio de que a intervenção pudesse causar danos irreversíveis num dos elementos mais característicos da igreja, símbolo da identidade da freguesia há várias décadas.
Paralelamente, a comunidade organizou-se para demonstrar o seu descontentamento de forma pacífica. Através do grupo da freguesia foi lançado um apelo à participação da população num encontro, agendado para o final da missa de domingo, no adro da igreja, com o objetivo de dialogar com o pároco, Padre Domingos.
Na mensagem divulgada, os promotores da iniciativa recordam que “a igreja é da comunidade e o nosso património merece ser protegido”, apelando à união dos habitantes para solicitar a suspensão da intervenção e a procura de uma solução que respeite os azulejos históricos.
O movimento sublinha que o objetivo nunca foi criar conflito, mas sim defender um património que considera pertencer a toda a população.
Apesar do recuo na intervenção, permanece agora a preocupação quanto ao estado em que ficaram os azulejos e à possibilidade de estes poderem ser integralmente recuperados, uma vez que a argamassa aplicada poderá tornar o processo de restauro particularmente delicado.