Seis crónicas de Álvaro Rocha classificadas entre 76% e 91% como texto gerado por IA por plataforma de deteção
Análise do Semanário VOX revela que seis artigos (os mais recentes) consecutivos publicados na SÁBADO e no Observador obtiveram classificações elevadas num detetor de inteligência artificial. Especialistas alertam, contudo, que estas ferramentas não constituem prova da utilização de IA.
Uma análise realizada pelo Semanário VOX a seis crónicas recentes assinadas por Álvaro Rocha, professor universitário e comentador em vários órgãos de comunicação social, revelou que todas obtiveram classificações elevadas numa plataforma de deteção de inteligência artificial.
Os testes foram efetuados através da plataforma Sidekicker.ai, uma ferramenta comercial de análise de texto que estima a probabilidade de um conteúdo apresentar características compatíveis com texto gerado por inteligência artificial.
Os resultados obtidos foram os seguintes:
SÁBADO
- “A armadilha da universidade para todos” – 91%
- “A ciência entra na era da IA feita à medida” – 83%
- “O Ocidente não pode continuar a ignorar a ciência chinesa” – 82%
Observador
- “A IA deu à América uma nova forma de império” – 76%
- “A Europa que os filhos vão pagar” – 83%
- “A Europa não pode continuar a viver na nuvem dos outros” – 77%
No conjunto dos seis artigos, a média das classificações atribuídas pelo Sidekicker foi de aproximadamente 82%.
Uma coincidência ou um padrão?
O facto de seis crónicas consecutivas, publicadas em dois órgãos de comunicação social distintos, apresentarem classificações consistentemente superiores a 75% levanta inevitavelmente questões sobre a forma como estes textos são produzidos.
O Semanário VOX comparou ainda estas crónicas com artigos de opinião publicados por Álvaro Rocha em 2016, verificando uma evolução significativa do estilo de escrita.

Enquanto os textos mais antigos apresentavam uma linguagem mais espontânea, referências frequentes a acontecimentos concretos, perguntas retóricas e uma utilização mais evidente da primeira pessoa, as crónicas recentes revelam uma estrutura bastante mais uniforme, conceptual e regular.
Essa evolução é compatível com diversas explicações, desde uma natural maturação do estilo do autor até à eventual utilização de ferramentas modernas de apoio à escrita.
Os detetores de IA não são prova
Importa, contudo, sublinhar que plataformas como o Sidekicker, GPTZero, Originality.ai ou outras semelhantes não conseguem determinar, com certeza, se um texto foi escrito por inteligência artificial.
Os próprios fornecedores destas ferramentas reconhecem que podem ocorrer falsos positivos, sobretudo em textos académicos, científicos ou produzidos segundo estruturas muito regulares.
Por esse motivo, uma classificação elevada significa apenas que o algoritmo identificou características frequentemente associadas a texto gerado por IA, não constituindo prova da sua utilização.

A armadilha da universidade para todos – Álvaro Rocha – SÁBADO

A ciência entra na era da IA feita à medida – Álvaro Rocha – SÁBADO

O Ocidente não pode continuar a ignorar a ciência chinesa – Álvaro Rocha – SÁBADO

A IA deu à América uma nova forma de império – Observador

A Europa que os filhos vão pagar – Observador

A Europa não pode continuar a viver na nuvem dos outros – Observador
Nota editorial: Os testes referidos nesta notícia foram realizados pelo Semanário VOX através da plataforma Sidekicker.ai. As classificações apresentadas correspondem exclusivamente às estimativas produzidas por esse software e não constituem prova de que os artigos tenham sido escritos, total ou parcialmente, com recurso a inteligência artificial.
VOX assume publicamente o uso de Inteligência Artificial. Transparência editorial continua a ser exceção na imprensa portuguesa
Jornal declara na sua ficha técnica que mais de 90% dos conteúdos recorrem a ferramentas de IA sob supervisão humana. Debate sobre a transparência na utilização destas tecnologias ganha força no setor.
A utilização de ferramentas de Inteligência Artificial na produção de conteúdos jornalísticos é uma realidade cada vez mais presente nas redações. Contudo, apesar da crescente adoção destas tecnologias, poucos órgãos de comunicação social explicam aos seus leitores se recorrem, ou não, a este tipo de ferramentas durante o processo editorial.
O Semanário VOX é uma das exceções.
Na ficha técnica do jornal, disponível publicamente, é assumido que mais de 90% dos conteúdos publicados recorrem a ferramentas de Inteligência Artificial, esclarecendo igualmente que todos os textos são produzidos sob orientação editorial humana e sujeitos a revisão, verificação factual e validação antes da publicação.
Segundo a informação disponibilizada pelo próprio jornal, a utilização destas ferramentas tem como objetivo reforçar a capacidade de produção de conteúdos, mantendo sempre a supervisão humana em todas as fases do processo editorial.
IA torna-se ferramenta habitual nas redações
Nos últimos anos, ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude ou Copilot passaram a integrar o quotidiano de jornalistas, investigadores e produtores de conteúdos em todo o mundo.
A inteligência artificial é hoje utilizada para apoiar tarefas como pesquisa documental, organização de informação, revisão linguística, tradução, resumo de documentos e preparação de rascunhos.
O recurso a estas tecnologias não significa, necessariamente, que um conteúdo seja integralmente produzido por inteligência artificial, podendo limitar-se ao apoio em determinadas fases da sua elaboração.
Transparência ainda é rara em Portugal
Apesar da crescente utilização destas ferramentas, continua a ser pouco comum encontrar órgãos de comunicação social portugueses que informem os leitores sobre o papel desempenhado pela Inteligência Artificial no processo de produção editorial.
A ausência dessa informação começa, contudo, a suscitar debate entre profissionais do setor e especialistas em ética jornalística, sobretudo numa altura em que os modelos de IA conseguem produzir textos cada vez mais difíceis de distinguir daqueles escritos exclusivamente por humanos.
Artigos de opinião no centro da discussão
A questão assume particular relevância no caso das crónicas e artigos de opinião.
Ao contrário das notícias, cujo principal objetivo é relatar factos, os textos de opinião distinguem-se precisamente pela interpretação, análise e pensamento do autor.
Nete artigo, o Semanário VOX analisou seis crónicas publicadas recentemente na SÁBADO e no Observador, recorrendo à plataforma Sidekicker.ai, uma ferramenta de deteção de texto gerado por Inteligência Artificial.
Os seis artigos obtiveram classificações compreendidas entre 76% e 91%, registando uma média global de 82%.
Contudo, estes resultados devem ser interpretados com prudência. Os próprios fornecedores destas plataformas reconhecem que os detetores de IA não permitem concluir, com certeza, que um texto tenha sido produzido por inteligência artificial, podendo ocorrer falsos positivos, sobretudo em textos académicos, científicos ou altamente estruturados.
Debate deverá intensificar-se
À medida que a Inteligência Artificial continua a ganhar espaço na produção de conteúdos, cresce também o debate sobre a necessidade de definir boas práticas de transparência.
Enquanto alguns defendem que a utilização destas ferramentas constitui apenas uma evolução natural dos processos editoriais, outros entendem que os leitores devem ser informados sempre que a IA desempenhe um papel relevante na elaboração de um conteúdo, sobretudo quando estão em causa artigos de opinião.
Sem legislação específica sobre esta matéria, a decisão continua a depender da política editorial de cada órgão de comunicação social.
No caso do Semanário VOX, essa opção passa por assumir publicamente o recurso à Inteligência Artificial, mantendo, segundo a informação constante da sua ficha técnica, a supervisão humana em todas as etapas do processo editorial.
À medida que estas tecnologias se tornam cada vez mais sofisticadas, a transparência sobre a sua utilização poderá assumir um papel crescente na relação de confiança entre os meios de comunicação social e os seus leitores.