Administrador da ABB de Braga investigado por suborno em obra hospitalar
O Ministério Público (MP) está a investigar um alegado esquema de suborno e tentativa de manipulação de versão dos factos envolvendo o administrador da construtora ABB, sediada em Braga, no rescaldo da conclusão de empreitadas no serviço de urgência do hospital de Vila Nova de Gaia/Espinho. A situação, avançada pelo Expresso, acrescenta mais um capítulo a um dos casos judiciais que têm alimentado o debate sobre transparência e integridade na contratação pública em Portugal.
Segundo apurou o semanário, a construtora ABB, que executou a obra no serviço de urgência daquela unidade de saúde, terá sido alvo de um despacho do MP que considera existirem indícios de que o administrador da empresa pode ter tentado influenciar o processo de pagamento e fechar acordos extrajudiciais a seu favor após a conclusão dos trabalhos.
O núcleo do inquérito revolve em torno da alegada tentativa de criar uma “versão alternativa dos factos” por parte da empresa, que terá incluso a apresentação de uma queixa falsa à GNR por alegado furto de dinheiro relacionado com a obra, segundo a denúncia apresentada às autoridades. O MP avalia se esta queixa — que, de acordo com fonte judicial, não terá correspondido à verdade — visava pressionar ou justificar exigências de pagamento adicionais que não estavam contempladas no contrato original.
O caso insere-se num quadro mais vasto de escrutínio sobre grandes empreitadas públicas e a relação entre entidades adjudicantes e empreiteiros, em que acusações de viciação de contratos, acordos paralelos e tentativas de contornar procedimentos legais têm surgido em vários dossiers a norte do país.
Procurado por esta redacção, o gabinete de imprensa da ABB não comentou oficialmente as acusações, remetendo-as para o segredo de justiça inerente ao processo. O MP também não emitiu declarações públicas detalhadas sobre as linhas de investigação em curso.
O desfecho deste caso poderá ter implicações significativas para a reputação da empresa e lançar novo foco sobre práticas de contratação e pagamento em obras públicas, sobretudo numa área tão sensível como a da saúde.