Manuel Tibo assume presidência da ATAHCA e Vila Verde fica ‘de fora’

A ATAHCA – Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave iniciou esta terça-feira um novo ciclo da sua história com a tomada de posse de Manuel Tibo como presidente da direção, sucedendo a José da Mota Alves, que liderou a instituição desde a sua fundação, em 1991.

A cerimónia ficou marcada por diversas homenagens ao presidente cessante, reconhecido como uma das figuras mais influentes do desenvolvimento rural na região. Após 35 anos à frente da associação, José da Mota Alves despede-se deixando um legado fortemente ligado à implementação do programa LEADER e ao apoio ao desenvolvimento económico e social dos territórios do Homem, Cávado e Ave.

No seu primeiro discurso como presidente, Manuel Tibo fez questão de sublinhar que não pretende substituir o antecessor.

“Jamais, em tempo algum, irei substituir o professor Mota Alves. Porque é insubstituível.”

O também presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro afirmou que pretende imprimir o seu próprio estilo de liderança, sem alterar a identidade da associação.

“Trago o meu estilo, não o do professor. Quem me conhece sabe que sou um lutador de causas e acredito que é possível fazer acontecer.”

Ainda assim, garantiu que a prioridade passa pela continuidade do trabalho desenvolvido nas últimas três décadas.

“Queremos continuar a levar o bom nome da ATAHCA e desta marca que existe nos territórios do Homem, Cávado e Ave.”

“Não queremos criar buracos na estrada”

Recorrendo a uma metáfora para ilustrar a transição de liderança, Manuel Tibo explicou que o objetivo da nova direção passa por consolidar o caminho já percorrido.

“Nós não queremos criar, com toda a rapidez, betuminoso na estrada que o senhor criou. O que não queremos é haver crateras no macadame que o senhor deixou. Queremos limpar as valetas, preparar o caminho e, quando for possível, realizar novas obras.”

O novo presidente apelou ainda à compreensão durante o período de adaptação da nova equipa, defendendo um processo de transição feito “ouvindo todos, com tranquilidade e sabedoria”.

Num dos momentos mais emotivos da cerimónia, Manuel Tibo garantiu que José da Mota Alves continuará a ter um lugar especial na associação.

“Enquanto eu for presidente, esta continuará a ser a sua casa. Entregou-me as chaves, mas devia ter ficado com uma cópia.”

José da Mota Alves despede-se após 35 anos

Na sua intervenção de despedida, José da Mota Alves fez um balanço de um percurso iniciado em 1991, classificando os 35 anos de presidência como uma missão de serviço ao território.

“São 35 anos que não cabem facilmente em palavras. Foram anos de trabalho intenso, de desafios, de decisões difíceis, mas também de muitas realizações.”

O antigo presidente afirmou que a palavra que melhor resume o seu percurso é “confiança”, agradecendo aos associados, autarquias, parceiros, dirigentes e colaboradores o apoio recebido ao longo das últimas décadas.

“A confiança foi sendo renovada eleição após eleição, permitindo-nos trabalhar com estabilidade, responsabilidade e visão de futuro.”

José da Mota Alves deixou ainda um agradecimento especial à equipa técnica da ATAHCA, destacando o empenho dos colaboradores, muitos dos quais, afirmou, “foram muito além daquilo que lhes era exigido”.

Vila Verde deixa de estar representado na direção

A nova composição dos órgãos sociais traz, contudo, uma nota que não passou despercebida: pela primeira vez em muitos anos, o concelho de Vila Verde deixa de ter representação na direção da ATAHCA, apesar de a associação manter a sua sede naquele concelho.

A ausência de representantes vila-verdenses no órgão executivo surge precisamente no momento em que termina o longo ciclo de José da Mota Alves, uma figura profundamente ligada a Vila Verde e à história da associação. Embora o concelho continue representado noutros órgãos sociais, deixa de ter voz na direção responsável pela gestão diária e pelas decisões estratégicas da ATAHCA.

Com Manuel Tibo na presidência, inicia-se agora uma nova etapa para uma das mais importantes associações de desenvolvimento local do Norte do país, mantendo como principal desafio a continuidade do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 35 anos e a captação de novas oportunidades para os territórios rurais do Homem, Cávado e Ave.

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