Professora foi convocada para corrigir exames apesar de já ter morrido
Uma professora já falecida foi convocada para integrar o processo de classificação do exame nacional de Físico-Química A, num episódio que está a gerar indignação crescente entre docentes e direções escolares. A informação foi avançada pelo Correio da Manhã, que fala num cenário de caos na correção dos exames do Ensino Secundário.
O caso ocorreu na Figueira da Foz, mas está longe de ser isolado. De acordo com o mesmo jornal, em Oliveira de Azeméis uma professora designada para corrigir provas de Português recebeu, afinal, exames de Economia A. Já numa escola de Lisboa, uma docente da área da Geologia foi chamada para classificar exames de Francês.
Os erros estão a ser descritos como insólitos e graves por vários professores, que apontam falhas profundas na organização do processo. Um diretor de um Agrupamento de Escolas de Viseu, citado pelo Correio da Manhã e que pediu anonimato, afirma que a origem do problema está na mudança de modelo operacional. “O problema é que o Instituto de Avaliação Educativa deixou de ter professores a tratar das correções dos exames e passou a ter técnicos. A confusão é geral e ninguém se entende”, referiu.
Contactado sobre a situação, o Júri Nacional de Exames admite dificuldades, explicando que o processo de preparação dos exames para a classificação digital se encontra “em fase de recuperação, após dificuldades técnicas”.
A primeira fase dos exames nacionais decorreu entre 16 e 26 de junho. Apesar das garantias de normalização, os sucessivos erros nas convocatórias estão a aumentar o mal-estar nas escolas e a levantar dúvidas sobre a fiabilidade de todo o processo de correção.