Há desigualdades nas refeições escolares em Vila Verde e juntas ‘fazem o que podem’
Na Assembleia Municipal de Vila Verde, a deputada Elisabete Silva, eleita pela freguesia de Moure, levou ao debate um tema que tem gerado desconforto crescente entre autarcas e comunidades escolares: o funcionamento das AAAF, CAF e o serviço de refeições escolares no concelho.
A intervenção do Partido Socialista centrou-se numa ideia base: apesar do trabalho considerado “notável” das Juntas de Freguesia, estas estariam a ser deixadas sozinhas na resposta a problemas estruturais ligados ao apoio escolar.
Entre os principais alertas apontados estão a precariedade laboral dos trabalhadores envolvidos, muitos em regime de recibos verdes ou através de programas do IEFP, bem como a falta de recursos humanos estáveis e uma elevada rotatividade nas equipas. Segundo o PS, esta realidade tem impacto direto na qualidade do serviço prestado.
O partido refere ainda a existência de desigualdades entre freguesias dentro do mesmo concelho e até do mesmo agrupamento escolar. Há crianças que, apesar de frequentarem o mesmo sistema educativo, têm horários, equipas e condições diferentes consoante a sua área de residência.
“Não é igualdade nem um serviço público justo”, foi a leitura deixada na Assembleia, com críticas à delegação de competências sem o correspondente reforço de meios por parte da Câmara Municipal. O PS sublinha que a contratação de assistentes operacionais é da responsabilidade do município e questiona a ausência de reforço dos quadros.
No plano das propostas, Elisabete Silva defendeu medidas para estabilizar o setor: equipas permanentes, redução da precariedade e maior previsibilidade no serviço. Foram ainda apresentadas sugestões concretas, como o reforço do apoio a materiais escolares, uma articulação mais próxima com a Casa do Conhecimento e a ligação entre bibliotecas e escolas.
No capítulo da alimentação escolar, o PS propõe uma avaliação da qualidade das refeições, maior fiscalização das cantinas e a possibilidade de reintroduzir cozinheiros nas escolas, com o objetivo de garantir refeições consideradas mais frescas e de melhor qualidade.
A mensagem deixada pelo partido aponta para um equilíbrio delicado: reconhecer o trabalho das Juntas de Freguesia, mas exigir soluções estruturais que evitem desigualdades entre crianças do mesmo concelho.