Melo diz que ‘Bandido que matou Manu devia apodrecer na cadeia’
O Tribunal de Braga condenou esta semana o homem responsável pela morte de Manu, o jovem que perdeu a vida num episódio de violência que abalou a cidade e marcou o debate público nos últimos meses. A decisão judicial, conhecida hoje, está longe de fechar a discussão em torno das penas aplicadas e da resposta do Estado a crimes violentos. Neste caso 21 anos e meio de prisão.
À saída do tribunal, familiares e amigos do jovem voltaram a lembrar Manu como “um rapaz tranquilo, sem conflitos”, cuja morte deixou um vazio difícil de explicar. Houve silêncio, abraços demorados e uma sensação agridoce: algum alívio pela condenação, misturado com a ideia de que nada repara verdadeiramente a perda.
Foi neste contexto que surgiram declarações duras do deputado Filipe Melo, do CHEGA, publicadas nas redes sociais pouco depois de conhecida a sentença. “Esta é a Justiça que temos em Portugal..! Esse bandido que tirou a vida ao jovem Manu devia apodrecer na cadeia até ao último dia da vida”, escreveu o parlamentar, num tom de forte crítica ao sistema judicial.
Na mesma publicação, Filipe Melo deixou ainda uma mensagem dirigida à vítima e à sua família: “Descansa em Paz Manu, não te esqueceremos. Um dia havemos de ser um país justo e seguro, onde os nossos jovens possam viver e crescer sem medo de perder a vida”, rematou, acompanhando o texto com a hashtag #salvarportugal.
As palavras do deputado refletem uma posição que o CHEGA tem vindo a assumir de forma consistente, defendendo penas mais pesadas para crimes violentos e uma revisão profunda do modelo penal português. Ao mesmo tempo, voltam a colocar pressão sobre tribunais e legislador, numa altura em que casos mediáticos como o de Braga amplificam a perceção de insegurança.
Do lado judicial, a sentença seguiu os limites previstos na lei, tendo o coletivo de juízes sublinhado, na leitura da decisão, a gravidade dos factos e o impacto irreversível causado à família da vítima. A defesa do arguido já admitiu a possibilidade de recurso.
Em Braga, a vida continua, mas com uma ferida aberta. A condenação traz um ponto final jurídico ao caso de Manu. Social e politicamente, porém, o assunto promete continuar a fazer caminho, entre exigências de justiça, discursos inflamados e uma pergunta que fica no ar: que país é este onde crescer jovem pode, de repente, tornar-se um risco.