Sistema Volta deixa consumidores desesperados e sem reembolsos
O Sistema de Depósito e Reembolso de Embalagens, conhecido como “Volta”, continua a gerar polémica em todo o país, com dezenas de consumidores a denunciarem falhas nas máquinas de recolha, dificuldades no reembolso e falta de informação clara sobre o funcionamento do sistema.
Implementado em Portugal em abril deste ano, o sistema obriga os consumidores a pagar uma caução adicional de 10 cêntimos por cada garrafa ou lata de bebidas abrangida. O valor deverá ser devolvido quando a embalagem é entregue num ponto de recolha autorizado.
O objetivo da medida passa por aumentar as taxas de reciclagem e promover a economia circular, à semelhança do que acontece noutros países europeus. Para que o reembolso seja efetuado, as embalagens têm de estar vazias, intactas, com código de barras legível e identificadas com o símbolo “Volta”.
No entanto, desde a entrada em funcionamento do sistema, têm-se multiplicado as críticas nas redes sociais e fóruns online, com muitos consumidores a relatarem problemas constantes nas máquinas instaladas em supermercados e hipermercados.
“Sistema Volta com muitas falhas deixa consumidores desesperados”, escreveu um utilizador nas redes sociais, enquanto outros classificam a medida como “mais um negócio para ir ao bolso dos portugueses”.
Entre as principais reclamações estão máquinas avariadas, embalagens recusadas sem explicação aparente e dificuldades em receber o valor em dinheiro.

“O sistema VOLTA é um ROUBO. Foi prometido devolver 0,10€ por todas estas garrafas. No entanto, a máquina não as aceitou. Resultado? Foste roubado em 0,10€. Só aqui devem estar uns 20€. Grande negócio”, denunciou outro consumidor numa publicação amplamente partilhada.
Há ainda quem critique a falta de esclarecimento prestado aos consumidores desde o lançamento da medida.
“Sistema iniciou sem grandes informações para o consumidor que tem que pagar as taxas e não recebe os reembolsos”, lamenta outro cidadão.
Além das falhas técnicas, muitos consumidores mostram-se indignados com o facto de algumas superfícies comerciais apenas permitirem o reembolso através de descontos em compras ou saldo em aplicações móveis, em vez da devolução direta em dinheiro.
Apesar das críticas, a entidade gestora do sistema garante que o projeto continua numa fase de adaptação e aprendizagem, sublinhando que muitas rejeições acontecem porque as embalagens surgem danificadas, sem tampa ou sem o símbolo oficial do sistema.
O modelo prevê a instalação de milhares de pontos de recolha automáticos e manuais em todo o território nacional, tendo como meta atingir uma taxa de recolha seletiva de 90% até 2029.
Ainda assim, o crescente número de reclamações levanta dúvidas sobre a eficácia do sistema nos primeiros meses de funcionamento, numa altura em que muitos consumidores dizem sentir-se penalizados por um mecanismo que consideram confuso e pouco transparente.