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Do altar ao escândalo: Padre pedófilo de Braga expulso do sacerdócio

A Arquidiocese de Braga anunciou esta terça-feira a expulsão do sacerdócio do padre Albino Fernando Tristão Meireles, condenado em tribunal civil por abuso sexual de menores. Segundo a nota oficial divulgada pela Arquidiocese, o sacerdote foi alvo da pena máxima prevista pelo direito canónico – a demissão do estado clerical – através de um decreto…

Do altar ao escândalo: Padre pedófilo de Braga expulso do sacerdócio

A Arquidiocese de Braga anunciou esta terça-feira a expulsão do sacerdócio do padre Albino Fernando Tristão Meireles, condenado em tribunal civil por abuso sexual de menores.

Segundo a nota oficial divulgada pela Arquidiocese, o sacerdote foi alvo da pena máxima prevista pelo direito canónico – a demissão do estado clerical – através de um decreto emitido a 21 de abril de 2026, após a conclusão do respetivo processo penal canónico conduzido pelo Vaticano.

O processo incidiu sobre crimes contra o sexto mandamento praticados contra menores e pessoas vulneráveis, em conformidade com a legislação canónica atualmente em vigor.

A decisão teve por base a análise dos factos, das provas recolhidas e também da condenação aplicada no âmbito da justiça civil.

Na comunicação oficial, a Arquidiocese de Braga reconhece “a gravidade dos atos em causa” e a “profunda dor provocada às vítimas, às suas famílias, às comunidades cristãs e a todos os que legitimamente esperam da Igreja um testemunho coerente, seguro e responsável”.

A instituição religiosa reafirma ainda o compromisso de continuar a promover uma cultura de proteção, prevenção e transparência, garantindo colaboração com as autoridades civis e canónicas.

“A Igreja em Braga permanece empenhada em assegurar ambientes seguros, especialmente para menores e pessoas vulneráveis, assumindo com determinação os deveres de vigilância, formação e responsabilização que esta missão exige”, refere a nota.

A Arquidiocese aproveita igualmente para apelar a possíveis vítimas de abuso sexual em paróquias ou instituições da diocese para que contactem a Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, através do endereço eletrónico braga@comissaodiocesana.pt ou do contacto telefónico 913 596 668.

“Estamos disponíveis para escutar e acolher”, sublinha a instituição.

Por respeito às vítimas e à sensibilidade do caso, a Arquidiocese informou que não fará comentários adicionais além da nota pública divulgada.

Entretanto a página do Ex-Padre foi retirada do sitio de internet da Arquidiocese de Braga

Além dos processos judiciais e da expulsão do sacerdócio, o caso do padre Albino Meireles ficou também marcado por vários episódios e reações públicas que tiveram impacto na Arquidiocese de Braga e nas comunidades onde exerceu funções.

A Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica em Portugal referiu que o nome de Albino Meireles surgiu em testemunhos recolhidos durante a investigação aos abusos na Igreja. A Arquidiocese de Braga acabou por afastá-lo preventivamente das funções sacerdotais enquanto decorriam os processos.

Em várias localidades do distrito de Braga e de Terras de Bouro surgiram relatos de surpresa e choque entre paroquianos, sobretudo por o sacerdote ter desempenhado funções pastorais durante décadas e ser conhecido em várias comunidades religiosas.

Durante o julgamento, foram conhecidos detalhes da investigação conduzida pela Polícia Judiciária, incluindo apreensões de dispositivos eletrónicos e análise de conteúdos considerados relevantes para o processo. (jn.pt)

A confirmação da condenação pelo Tribunal da Relação do Porto reforçou a validade da decisão inicial, levando posteriormente ao desfecho canónico agora anunciado pelo Vaticano.

O caso foi um dos processos frequentemente referidos nos debates públicos sobre abusos sexuais na Igreja Católica em Portugal, sobretudo após a divulgação do relatório da Comissão Independente, que identificou centenas de alegadas vítimas em várias dioceses portuguesas.

A Arquidiocese de Braga reforçou nos últimos anos mecanismos internos de prevenção, proteção de menores e canais de denúncia, precisamente na sequência de casos como este e das recomendações nacionais da Igreja Católica portuguesa.

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