Iniciativa Liberal quer dias de férias extra para quem doar sangue

A Iniciativa Liberal (IL) entregou esta segunda-feira um projeto de lei que prevê a atribuição de um ou dois dias extra de férias aos cidadãos que doem sangue regularmente, numa medida que pretende incentivar a dádiva e reconhecer o contributo dos dadores para o sistema de saúde.

A proposta foi apresentada pela presidente da IL, Mariana Leitão, que falou aos jornalistas depois de doar sangue no Centro de Sangue e Transplantação de Lisboa, acompanhada pela deputada Joana Cordeiro e outros membros do partido.

“Uma pessoa que dê duas vezes por ano sangue tem direito a mais um dia de férias, se der mais de três vezes tem direito a dois dias de férias”, explicou Mariana Leitão, defendendo que a medida funciona como forma de “agradecimento e reconhecimento” para quem contribui regularmente com dádivas de sangue.

Segundo a líder liberal, o objetivo passa também por sensibilizar a população para a importância da doação, numa altura em que os hospitais portugueses necessitam diariamente de centenas de unidades de sangue.

A proposta estabelece que os dias adicionais de férias ficam sujeitos às regras normais de marcação laboral e dependem da apresentação de uma declaração comprovativa emitida pelo organismo público responsável.

Questionada sobre o facto de a IL se ter abstido anteriormente em iniciativas semelhantes apresentadas pelo BE e pelo PAN, Mariana Leitão argumentou que os projetos eram diferentes, uma vez que previam a dispensa do trabalhador no próprio dia da dádiva.

“Nós optámos por outra solução porque achamos que é o que faz mais sentido, porque se toda a gente de uma empresa for dar sangue no mesmo dia, certamente isso coloca um problema adicional às empresas”, afirmou.

Durante a visita ao centro de transfusão, Mariana Leitão descreveu o processo de doação como simples e rápido, procurando tranquilizar potenciais dadores receosos. “Em 15, 20 minutos, entre fazer a admissão e dar sangue, fica despachada”, disse, acrescentando que “a agulha não é assim tão grande” e que o gesto “salva vidas”.

Também presente na iniciativa, a presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, Maria Antónia Escoval, alertou para a necessidade permanente de reforçar as reservas de sangue.

Segundo a responsável, Portugal precisa diariamente de cerca de 1.100 unidades de sangue e componentes sanguíneos para responder às necessidades hospitalares. “Precisamos de uma dádiva regular e continuada ao longo do tempo”, sublinhou.

Maria Antónia Escoval referiu ainda que a situação das reservas “está estável”, mas apelou aos dadores habituais para que façam dádivas antes do período de férias de verão, altura em que as recolhas tendem a diminuir.

Em Portugal, a dádiva de sangue é permitida entre os 18 e os 70 anos, desde que os cidadãos se encontrem saudáveis. As mulheres podem doar de quatro em quatro meses e os homens de três em três.

A responsável pelo IPST destacou ainda o impacto direto deste gesto solidário. “Uma dádiva pode salvar objetivamente três vidas”, afirmou, acrescentando que os dadores recebem posteriormente uma mensagem a informar quando a unidade recolhida é enviada para um hospital.

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