Nuno Melo reforça liderança no CDS com vitória esmagadora

Nuno Melo foi reeleito, este domingo, presidente do CDS-PP, no 31.º congresso do partido, que decorre em Alcobaça.

A lista para a comissão política nacional obteve 525 votos favoráveis, 41 brancos e 19 nulos, correspondendo a 89,7% dos votos dos delegados. Registaram-se ainda 7% de votos brancos e 3,2% de votos nulos.

Os resultados foram conhecidos cerca das 14h00, após a votação realizada durante a manhã. No congresso anterior, em Viseu, em 2024, a comissão política liderada por Nuno Melo tinha obtido 89,3%.

A lista de conselheiros nacionais, liderada pelo antigo líder parlamentar do CDS Nuno Magalhães, alcançou 529 votos favoráveis, equivalentes a 90,4%. A mesa do congresso, presidida por José Manuel Rodrigues, foi eleita com 540 votos favoráveis.

Na intervenção de encerramento, Nuno Melo apontou a Segurança Social como uma das matérias que o CDS deverá aprofundar nos próximos anos. O líder centrista criticou propostas de redução da idade da reforma, acusando o Chega de privilegiar ganhos eleitorais imediatos em detrimento da sustentabilidade futura do sistema.

Segundo Nuno Melo, baixar a idade da reforma sem garantir uma base contributiva suficiente equivale a transmitir aos mais jovens que poderão não vir a beneficiar das mesmas pensões asseguradas às gerações anteriores. O presidente do CDS defendeu, por isso, a necessidade de existirem mais trabalhadores no ativo para financiar, de forma sustentável, um número crescente de pensões.

No final do discurso, Nuno Melo apresentou o CDS como o “braço lúcido” da direita em Portugal.

Os novos órgãos tomaram posse na sessão de encerramento do congresso.

Nuno Melo dispara contra o Chega e entra “a jogo” na revisão constitucional

Na intervenção, Nuno Melo abordou também a revisão constitucional e anunciou que o CDS apresentará uma posição própria neste processo.

O líder centrista começou por ligar o tema da nacionalidade à ideia de “pátria”, defendendo que a nacionalidade portuguesa deve ser encarada como um vínculo exigente, associado a direitos, mas também a deveres e compromissos. Embora tenha afirmado que as decisões do Tribunal Constitucional devem ser respeitadas, Nuno Melo manifestou discordância face ao chumbo da perda de nacionalidade como pena acessória, recordando que o CDS foi o primeiro partido a defender essa possibilidade.

Sobre a Constituição, Nuno Melo reafirmou a oposição do CDS ao seu preâmbulo, sublinhando que o partido manteve essa posição de forma isolada na Assembleia da República. Defendeu ainda que, nas revisões constitucionais em que participou, o CDS contribuiu para afastar o país de uma matriz mais socialista.

O presidente do partido anunciou, por isso, que “o CDS vai a jogo” na próxima revisão constitucional, com uma proposta autónoma da do PSD. Segundo Nuno Melo, o objetivo é defender uma Lei Fundamental ideologicamente neutra, capaz de representar diferentes sensibilidades políticas e de unir o país.

Para preparar esse projeto, o CDS vai criar um grupo de trabalho liderado por constitucionalistas próximos do partido.

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