JMF em Leiria para travar verão de alto risco após tempestade derrubar milhares de árvores
Governo vai reforçar meios de combate a incêndios rurais na Região de Leiria, depois da depressão Kristin ter deixado milhares de árvores derrubadas e aumentado o risco para o verão. Ministro da Agricultura e Mar participou na reunião de coordenação com Administração Interna, Defesa e entidades operacionais.
A Região de Leiria vai contar este ano com um reforço de meios no combate aos incêndios rurais, depois dos estragos provocados pela depressão Kristin, que deixou milhares de árvores caídas e aumentou a preocupação das autoridades com a acumulação de material combustível antes do verão.
O anúncio foi feito esta sexta-feira, em Leiria, pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, durante uma conferência de imprensa destinada a fazer o ponto de situação dos trabalhos do Comando Integrado de Prevenção e Operações, conhecido como CIPO.

Na reunião de trabalho estiveram também o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, cuja tutela tem intervenção direta numa matéria que cruza floresta, gestão do território, prevenção e proteção das populações.
O CIPO foi criado para responder ao cenário deixado pelas tempestades, com especial incidência na remoção de material combustível, limpeza de áreas consideradas críticas, reabertura de caminhos e melhoria dos acessos florestais. A estrutura envolve vários organismos do Estado, entre eles a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais, a GNR, a Liga dos Bombeiros Portugueses e o Estado-Maior-General das Forças Armadas.
Luís Neves confirmou que haverá mais meios afetos à região. “Sim, há mais meios aqui alocados”, afirmou o governante, justificando a decisão com a situação excecional criada pela queda massiva de árvores.
O ministro da Administração Interna explicou que o Governo identificou 22 concelhos prioritários, a partir de Leiria e em direção ao Norte, ao Sul e ao interior do país. Essa prioridade não se aplica apenas aos trabalhos de limpeza e desobstrução de caminhos, mas também à afetação de meios de prevenção e combate.
A presença de José Manuel Fernandes na reunião dá particular peso à dimensão agrícola e florestal do problema. A resposta não se limita ao combate às chamas quando o fogo começa. Passa também pela gestão da floresta, pela redução de combustível no terreno e pela articulação com entidades que conhecem a realidade rural e os espaços florestais mais afetados.

Na conferência de imprensa, Luís Neves adiantou ainda que foi discutida a posição da Base Aérea de Monte Real, no concelho de Leiria, a mais próxima da área afetada. Segundo o ministro, já estão pré-posicionadas aeronaves em centros de meios aéreos capazes de cobrir aquele perímetro.
A pressão para reforçar os meios tinha sido assumida publicamente pelo presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, que alertou para a situação da floresta na região. O autarca defendeu um reforço do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, tendo em conta a destruição provocada pela depressão Kristin.
Gonçalo Lopes avisou que será muito difícil limpar todo o território antes do verão e pediu mais meios de prevenção, vigilância e pré-posicionamento. Para o presidente da Câmara de Leiria, a região está hoje “muito exposta”, sobretudo em concelhos como Leiria, Marinha Grande, Pombal e Ourém.
O autarca deixou ainda um alerta claro: numa zona que já tinha elevado número de ignições em anos anteriores, a existência de milhares de árvores derrubadas pode tornar qualquer incêndio mais perigoso.
Em 2025, o dispositivo de combate a incêndios rurais na Região de Leiria contou, durante o período crítico de julho, agosto e setembro, com 471 operacionais, 113 viaturas e três meios aéreos.
A Região de Leiria integra os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.