João Silva lidera defesa do património de Soutelo após chumbo polémico da maioria
Moção para reclamar a posse da sede da Junta foi chumbada pela maioria do Juntos por Soutelo, mas João Silva e o movimento “A Nossa Terra, O Nosso Compromisso!” prometem manter a pressão em defesa daquele que consideram ser um património histórico dos soutelenses.
A rejeição da moção que pretendia reclamar a posse do edifício da sede da Junta de Freguesia de Soutelo abriu uma nova frente política e comunitária na freguesia. João Silva, candidato pelo Partido Socialista à Junta de Freguesia de Soutelo nas autárquicas de 2025, sob o lema “A Nossa Terra, O Nosso Compromisso!”, voltou a assumir publicamente a defesa daquele património, deixando uma mensagem clara aos soutelenses: a luta não acabou.
Na sequência da notícia publicada hoje pelo Semanário VOX, que deu conta da reprovação da moção na Assembleia de Freguesia, João Silva partilhou nas redes sociais o comunicado do movimento “A Nossa Terra, O Nosso Compromisso!” e escreveu uma frase que rapidamente ganhou eco entre apoiantes: “Um legado deixado à nossa freguesia de Soutelo, que alguns não querem que seja dos Soutelenses!… Este edifício é nosso, a luta continua”.
Em causa está o edifício da sede da Junta de Freguesia de Soutelo, descrito pelo movimento como um património que representa um legado deixado à população. A moção apresentada tinha um objetivo direto: reclamar a posse do imóvel e devolver à freguesia um bem que, para João Silva e para o PS local, não deve ficar afastado da comunidade que historicamente lhe dá sentido.
A proposta acabou por ser reprovada com os votos contra da maioria eleita pelo movimento Juntos por Soutelo, tendo recebido os votos favoráveis do PS. Para João Silva, porém, o chumbo não fecha o assunto. Pelo contrário, parece ter dado nova força a uma causa que o próprio apresenta como uma questão de identidade, memória coletiva e respeito pela história da freguesia.
No comunicado agora divulgado, o movimento “A Nossa Terra, O Nosso Compromisso!” acusa a maioria de travar um passo que considera essencial para repor justiça e valorizar aquilo que diz ser de Soutelo. “Não desistimos. Não baixamos os braços”, lê-se na nota, numa mensagem que procura mostrar que a oposição socialista vai manter fiscalização apertada à atividade da Junta e continuar a insistir na recuperação do edifício.
A tomada de posição de João Silva também encontrou reação entre moradores e apoiantes nas redes sociais. Num dos comentários deixados na publicação, uma cidadã escreveu: “Força amigo João, este edifício é de Soutelo. Já foi dado à freguesia de Soutelo no tempo dos nossos antepassados. Nunca pertenceu à Câmara Municipal de Vila Verde. É nosso património, não da Câmara Municipal”.
Esse apoio público reforça a leitura política de João Silva: a discussão não se esgota numa votação de Assembleia de Freguesia. Para o antigo candidato socialista, trata-se de uma batalha pela dignidade da freguesia e pela defesa de um bem que muitos soutelenses sentem como parte da sua própria história.
O tema ganha ainda maior peso num território com forte identidade comunitária. A própria Junta de Freguesia recorda, na sua página oficial, que Soutelo mantém uma identidade histórica, administrativa e comunitária até à atualidade, com raízes que remontam à reorganização territorial medieval e à criação oficial da freguesia no século XIII. Neste contexto, a sede da Junta surge, para os defensores da moção, como mais do que um edifício: é um símbolo de pertença.
João Silva, que em 2025 já tinha apresentado uma candidatura assente na ideia de serviço à freguesia e proximidade às associações locais, volta agora a colocar-se na linha da frente de uma causa que promete continuar a marcar a vida política de Soutelo. A sua mensagem é simples, mas politicamente pesada: há patrimónios que não devem ser tratados apenas em atas, votos e formalidades. Devem ser defendidos por quem sente a terra como sua.
Para o movimento “A Nossa Terra, O Nosso Compromisso!”, a reprovação da moção foi apenas uma derrota momentânea. A promessa fica feita: a vigilância continuará, a fiscalização também, e a defesa da sede da Junta como património dos soutelenses continuará a ser levada para o espaço público.
Em Soutelo, João Silva transforma o chumbo numa bandeira. E deixa no ar uma ideia que já começou a circular entre os seus apoiantes: quando está em causa aquilo que pertence à freguesia, perder uma votação não significa perder a razão.