Trump: “Prefiro chegar a um acordo porque não quero matar pessoas”
Trump diz preferir acordo com o Irão e garante que Teerão nunca terá arma nuclear
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que continua a privilegiar uma solução diplomática para o diferendo com o Irão, sublinhando que prefere alcançar um acordo em vez de recorrer à força militar.
Segundo a SIC Notícias, as declarações foram feitas durante um comício no estado norte-americano do Nevada, onde Trump revelou que, apesar de os Estados Unidos terem estado preparados para uma operação militar de grande dimensão, a sua prioridade continua a ser evitar um conflito.
“Prefiro chegar a um acordo porque não quero matar pessoas. Não quero matar pessoas, mas, a certa altura, estávamos preparados para o maior ataque de sempre”, afirmou o chefe de Estado norte-americano.
Trump acrescentou que as conversações com Teerão continuam e considerou que o Irão demonstra respeito pelos Estados Unidos. Ainda assim, reiterou que existe uma condição inegociável para Washington: o regime iraniano não poderá desenvolver ou possuir uma arma nuclear.
JD Vance admite negociações difíceis
Também citado pela SIC Notícias, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, reconheceu que o processo negocial será complexo e poderá prolongar-se no tempo.
Em entrevista à Fox News, Vance descreveu o sistema político iraniano como fragmentado, afirmando que coexistem fações favoráveis ao fim das hostilidades e outras mais radicais que defendem a continuação do conflito.
Apesar das dificuldades, o vice-presidente considera que as negociações já estão a produzir alguns efeitos, apontando a descida do preço do petróleo para valores inferiores aos 80 dólares por barril como um sinal positivo. Vance reforçou ainda a convicção de que os Estados Unidos alcançarão os seus objetivos estratégicos e que o Irão não terá capacidade para desenvolver armamento nuclear.
Trégua de 60 dias em discussão
De acordo com a SIC Notícias, que cita o portal norte-americano Axios, as negociações em curso incluem um acordo mediado por Omã, prevendo uma trégua inicial de 60 dias, com possibilidade de prolongamento.
O entendimento prevê igualmente um modelo de controlo partilhado do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. Durante o período de trégua, os navios que entrarem no estreito deverão navegar por uma rota mais a norte, através de águas iranianas, enquanto a saída para o Mar Arábico será efetuada por uma rota situada em águas de Omã, mas coordenada com as autoridades iranianas.
O acordo estabelece ainda que, enquanto vigorar a trégua, não serão cobradas taxas de passagem no estreito e que ambas as partes se comprometem a remover as minas existentes na zona no prazo de um mês.
As negociações decorrem num contexto de elevada tensão no Médio Oriente, sendo acompanhadas com expectativa pela comunidade internacional devido ao impacto que um eventual entendimento poderá ter na estabilidade regional e nos mercados energéticos mundiais.