Ceuta: Patrulhas de moradores vigiam e controlam migrantes

Ceuta: patrulhas de moradores contra migrantes alarmam autoridades espanholas

A cidade autónoma espanhola de Ceuta vive um clima de crescente tensão, após a divulgação de mensagens que revelam a organização de grupos de moradores para vigiar bairros e perseguir migrantes que permanecem no enclave depois da recente vaga de entradas irregulares.

Segundo o jornal espanhol El País, vários grupos de WhatsApp estão a ser utilizados para coordenar patrulhas de moradores que afirmam pretender impedir a presença de migrantes em diferentes zonas da cidade. Nas conversas a que o diário teve acesso surgem mensagens com apelos à perseguição de migrantes e incentivos à prática de atos de violência.

De acordo com a publicação, alguns destes grupos organizam saídas noturnas para localizar pessoas migrantes que se encontram escondidas, numa tentativa de escapar às autoridades e evitar a deportação para Marrocos. Entre as mensagens divulgadas existem expressões de teor desumanizante e referências à utilização de objetos para confrontos físicos.

Em alguns bairros, moradores terão instalado cercas nas entradas e organizado vigílias permanentes para impedir a circulação de migrantes, alegando receios relacionados com furtos e invasões de propriedades. No entanto, estas alegações não foram confirmadas de forma generalizada pelas autoridades.

A situação tem suscitado preocupação entre responsáveis políticos e organizações locais. Sandra López, secretária da Política Institucional do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em Ceuta, afirmou ter encontrado um grupo de migrantes que manifestava receio de entrar em determinados bairros e apresentava marcas compatíveis com agressões.

Ainda segundo o El País, vários residentes alertaram a polícia para a presença de civis armados e encapuzados nas ruas, denunciando a atuação destes grupos de vigilância.

No plano político, o partido de extrema-direita Vox foi o único a manifestar apoio público ao direito dos moradores à autodefesa. Samuel Vázquez, porta-voz do partido para as áreas da Segurança e Imigração, defendeu que os cidadãos têm o direito de proteger as suas famílias quando consideram existir uma ameaça, declarações que têm sido alvo de críticas por parte de vários setores políticos e sociais.

A atual tensão surge na sequência da entrada de cerca de 72 mil pessoas em Ceuta, no passado dia 30 de julho. Embora a maioria tenha regressado entretanto a Marrocos, estima-se que cerca de 2.500 migrantes, entre os quais vários menores não acompanhados, permaneçam ainda na cidade.

Segundo as autoridades espanholas e vários meios de comunicação, muitos destes migrantes foram afastados do centro urbano e encontram-se dispersos pelas zonas periféricas, procurando alimento, água e abrigo enquanto tentam evitar a detenção e o processo de repatriamento.

Perante este cenário, as autoridades espanholas mantêm um forte dispositivo de segurança em Ceuta e acompanham de perto a evolução da situação, procurando responder simultaneamente aos desafios de ordem pública e às preocupações humanitárias decorrentes da crise migratória.

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