Procura por injeções para emagrecer dispara em Portugal
Procura por injeções para emagrecer dispara em Portugal e intensifica debate entre médicos
A procura por medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade continua a aumentar em Portugal, impulsionando um intenso debate entre profissionais de saúde sobre os benefícios, os custos e a utilização adequada destes fármacos.
Nos últimos meses, medicamentos como o Wegovy e o Mounjaro, aprovados para o tratamento da obesidade em doentes elegíveis, têm registado um crescimento significativo nas vendas. Dados divulgados pelo Infarmed indicam que milhares de embalagens são vendidas diariamente nas farmácias portuguesas, refletindo uma procura cada vez maior por tratamentos farmacológicos para a perda de peso.
Apesar da crescente popularidade, especialistas alertam que estes medicamentos não devem ser encarados como uma solução rápida para emagrecer. A sua utilização deve ser feita apenas mediante prescrição médica e integrada num plano que inclua alterações na alimentação, prática de exercício físico e acompanhamento clínico regular.
Outro dos temas em discussão é o acesso ao tratamento. Atualmente, os medicamentos indicados especificamente para a obesidade não são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que representa um encargo significativo para muitos doentes. O custo mensal do tratamento pode ultrapassar os 300 euros, levando várias sociedades médicas a defenderem a comparticipação para os casos clinicamente justificados.
A utilização indevida destes fármacos por pessoas que pretendem apenas perder alguns quilos também continua a preocupar as autoridades de saúde. A Agência Europeia de Medicamentos e o Infarmed têm alertado para os riscos da utilização sem indicação clínica, lembrando que estes medicamentos foram desenvolvidos para tratar a obesidade e determinadas doenças metabólicas, não devendo ser usados por motivos meramente estéticos.
Segundo os dados mais recentes, mais de metade da população portuguesa apresenta excesso de peso ou obesidade, tornando esta uma das principais preocupações de saúde pública no país. Neste contexto, o crescente recurso às chamadas “injeções para emagrecer” deverá continuar a marcar o debate clínico e político nos próximos meses, numa altura em que o Governo estuda modelos de comparticipação para estes.