Padre João Torres compara mudanças de párocos a uma cesariana
Padre João Torres compara mudanças de párocos a uma cesariana e apela à serenidade perante as novas nomeações
As recentes nomeações de párocos anunciadas pela Arquidiocese de Braga, que abrangem várias paróquias do concelho de Vila Verde, continuam a motivar reações entre sacerdotes e fiéis. Entre elas destaca-se a reflexão publicada pelo padre João Torres, que recorre à imagem de uma cesariana para explicar o impacto emocional das mudanças pastorais.
Num texto divulgado nas redes sociais, o sacerdote compara a transferência de um pároco à cicatriz deixada por uma cesariana: uma marca que não representa um fracasso, mas antes a prova de que existiu uma relação de amor e entrega.
“Há dores que não significam que algo correu mal. Significam apenas que houve amor”, escreve o padre João Torres, sublinhando que a partida de um sacerdote e a chegada de outro são momentos naturalmente difíceis, tanto para quem parte como para as comunidades que ficam.
A reflexão surge numa altura em que diversas paróquias de Vila Verde se preparam para acolher novos párocos, na sequência das alterações promovidas pelo arcebispo de Braga. As mudanças implicam a saída de sacerdotes que, em muitos casos, acompanharam durante vários anos a vida das comunidades, celebrando batismos, casamentos, funerais e outros momentos marcantes da vida dos paroquianos.
No texto, João Torres lembra que os padres não pertencem a uma comunidade em particular, mas à Igreja, sendo enviados para onde são mais necessários.
“Ninguém conhece a totalidade das urgências, dores e solidões de uma diocese inteira. Uma nomeação não é feita contra uma comunidade; é feita a pensar no bem de todas”, refere.
O sacerdote estabelece ainda uma comparação com outras profissões, recordando que a sociedade encara com naturalidade a transferência de médicos, professores, juízes ou militares, mas tende a viver de forma mais intensa a mudança de um pároco, precisamente pela proximidade e pelos laços afetivos que se criam ao longo dos anos.
Na parte final da reflexão, deixa um apelo às comunidades que agora se despedem dos seus sacerdotes e às que se preparam para receber novos pastores.
“A pergunta que nos salva não é ‘Porque é que ele vai embora?’, mas sim: ‘Que comunidade seremos nós para quem está prestes a chegar?'”, escreve.
As mudanças pastorais anunciadas pela Arquidiocese de Braga irão produzir efeitos nas próximas semanas, marcando uma nova etapa para várias paróquias do concelho de Vila Verde e de outros concelhos da arquidiocese, num processo habitual da vida da Igreja, mas que continua a ser vivido com emoção pelas comunidades envolvidas.