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Câmara compra 3 mil sacos e a fatura passa dos 9 mil euros

Contrato para o Bairro Comercial Digital tinha preço base de 7.400 euros. Valor sobe para 9.102 euros com IVA à taxa de 23% A Câmara Municipal de Vila Verde adjudicou a compra de 3 mil sacos de juta natural para o Bairro Comercial Digital, no âmbito de um procedimento por consulta prévia. O caderno de…

Câmara compra 3 mil sacos e a fatura passa dos 9 mil euros

Contrato para o Bairro Comercial Digital tinha preço base de 7.400 euros. Valor sobe para 9.102 euros com IVA à taxa de 23%

A Câmara Municipal de Vila Verde adjudicou a compra de 3 mil sacos de juta natural para o Bairro Comercial Digital, no âmbito de um procedimento por consulta prévia.

O caderno de encargos previa um preço base de 7.400 euros sem IVA. Aplicando IVA à taxa de 23%, o valor total ascende a 9.102 euros.

A aquisição corresponde a 3 mil unidades, o que representa um custo unitário de cerca de 2,47 euros sem IVA por saco – ou aproximadamente 3,03 euros com IVA.

Os sacos serão em juta natural, personalizados com impressão a duas cores, com medidas de 20x33x33 cm e asas de 40 cm. Segundo o município, o objetivo é promover práticas de consumo mais sustentáveis e reforçar a visibilidade do Bairro Comercial Digital de Vila Verde.

A adjudicação foi feita num procedimento em que o critério era o preço mais baixo, sem negociação entre concorrentes.

Bairro Comercial Digital de Vila Verde: muito investimento, pouca visibilidade

Entre contratos, vídeos e sacos promocionais, o projeto volta a levantar dúvidas sobre o real impacto no comércio local

O Bairro Comercial Digital de Vila Verde foi apresentado como uma aposta de modernização do comércio local, mas continua envolto em críticas quanto à sua eficácia, visibilidade e custo para os cofres públicos.

Segundo o Semanário VOX (.pt), o projeto “Vila Verde + Digital” recebeu uma nova injeção de 439.393,38 euros, através de contrato adjudicado à NOS – Comunicações S.A., apesar de cidadãos contactados nas ruas do concelho afirmarem que os efeitos do programa ainda são pouco percetíveis no dia a dia.

A crítica não é nova. O mesmo jornal já tinha descrito o Bairro Comercial Digital como um projeto de difícil compreensão pública, questionando a utilidade prática da iniciativa e referindo que, apesar de prometer marketplace, aplicação móvel, marketing e apoio à digitalização, a presença online não demonstrava, à data, resultados evidentes.

Ao investimento principal somam-se outras despesas associadas à promoção e gestão do projeto. O VOX noticiou a contratação de um vídeo de divulgação por quase 5 mil euros e uma avença de 12.300 euros para a gestão do Bairro Comercial Digital.

Também a aquisição de 3 mil sacos de juta natural, com preço base de 7.400 euros sem IVA9.102 euros com IVA a 23% — surge enquadrada nesta estratégia promocional. Cada saco representa um custo aproximado de 2,47 euros sem IVA e 3,03 euros com IVA.

Num projeto que prometia transformar digitalmente o comércio local, a sucessão de contratos e materiais promocionais contrasta com a fraca perceção pública dos seus resultados. A questão que fica é simples: o Bairro Comercial Digital está realmente a modernizar o comércio de Vila Verde – ou está sobretudo a alimentar despesa pública em nome de uma promessa ainda pouco visível?

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