Mais de 120 mil veículos circulam sem seguro em Portugal
Cerca de 121 mil veículos deverão estar a circular nas estradas portuguesas sem o seguro obrigatório de responsabilidade civil, segundo uma estimativa da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), que alerta para um fenómeno com impacto significativo na segurança rodoviária e na proteção das vítimas.
Os dados constam do estudo “Perfil do Condutor Sem Seguro”, divulgado esta segunda-feira, e resultam da análise das ações de fiscalização realizadas pela Polícia de Segurança Pública (PSP) entre 2023 e o início de 2026.
Segundo a ASF, a proporção de veículos sem seguro tem vindo a aumentar de forma consistente. Em 2025, o rácio médio de infração atingiu 1,33%, o equivalente a cerca de 121 mil veículos em circulação sem cobertura obrigatória.
O regulador ressalva que este número representa uma estimativa, uma vez que se baseia em ações de fiscalização seletivas. Ainda assim, considera que a condução sem seguro “não é um fenómeno residual” e representa “um risco significativo” para os condutores, passageiros e restantes utilizadores da via pública.
Com base nos rácios médios apurados em diferentes períodos, a ASF estima que o número de veículos sem seguro possa variar entre 85 mil e 134 mil.
Acidentes aumentam
Também o Fundo de Garantia Automóvel (FGA) registou um agravamento da situação. Até ao início de julho foram abertos 2.709 processos de sinistros, um aumento de 15% face ao mesmo período do ano passado, depois de já se ter registado uma subida de 9% em 2025.
O crescimento destes processos reflete, segundo o regulador, um aumento dos acidentes envolvendo veículos que circulam sem seguro obrigatório.
Homens entre os 20 e os 40 anos são o perfil mais frequente
O estudo traça ainda o perfil mais comum dos condutores envolvidos neste tipo de acidentes. Os homens portugueses com idades entre os 20 e os 40 anos surgem como o grupo mais representado e também aquele que está mais frequentemente associado a acidentes de maior gravidade.
Durante o período analisado, os condutores portugueses foram responsáveis por 94,7% dos acidentes envolvendo veículos sem seguro. Entre os 20 e os 39 anos, registaram-se 1.436 homens identificados como condutores responsáveis, contra 311 mulheres.
As ocorrências concentram-se sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com destaque para os concelhos de Lisboa, Sintra, Porto e Cascais. Os veículos ligeiros de passageiros continuam a ser os mais frequentemente envolvidos.
O presidente da ASF, Gabriel Bernardino, alerta que conduzir sem seguro obrigatório pode ter consequências financeiras muito graves.
“Quando o Fundo de Garantia Automóvel indemniza as vítimas de um acidente causado por um veículo sem seguro, procura depois recuperar esse valor junto do responsável. Nos casos mais graves, isso pode representar encargos capazes de comprometer a estabilidade financeira do condutor e da sua família”, sublinhou.