Filipe Melo ironiza sobre Álvaro Rocha: “O único professor cientista que me lembro é o Professor Chanfrado”
Na sequência das eleições internas para a Comissão Política Distrital do CHEGA Braga, que culminaram com uma expressiva vitória da lista liderada por Filipe Melo, o Semanário VOX entrevistou, em exclusivo, o deputado e recém-reeleito presidente distrital.
Ao longo da conversa, Filipe Melo faz um balanço do ato eleitoral, comenta o futuro da estrutura distrital, aborda as mudanças previstas nas concelhias, fala das novas apostas políticas para o mandato que agora inicia e responde, sem fugir às questões mais sensíveis, sobre as divisões internas que marcaram a campanha.
Numa entrevista em que não faltam momentos de descontração, mas também declarações com potencial impacto político, o líder distrital do CHEGA em Braga deixa ainda pistas sobre o futuro do partido no distrito, o papel de alguns dos seus principais protagonistas e a estratégia para os próximos desafios eleitorais.
No rescaldo das eleições mais concorridas de sempre na distrital de Braga, porque considera que os militantes lhe deram uma vitória esmagadora?
Os militantes do Chega são informados, esclarecidos, e sabem onde está a competência, a capacidade de trabalho e reconhecem em nós a melhor equipa.
Seis anos depois, eleito para mais três, serão 9 anos à frente de um dos distritos mais importantes para o Chega. Isto fará de si um dos históricos do Partido em Braga e um dos mais influentes a nível nacional?
Primeiro deixe-me dizer que é um orgulho fazer parte de uma equipa fantástica que diariamente trabalha pelo distrito, pelo Partido e pelo nosso país.
Sim, é um motivo de grande satisfação fazer parte do crescimento do Partido, fazer parte de vários capítulos de uma história linda na política nacional. É um orgulho e um privilégio.
Ao que apuramos é o Presidente Distrital mais antigo do Chega. Isto confere-lhe uma responsabilidade acrescida?
Posso ser o mais antigo, mas não sou o mais velho (risos). Confere a mesma responsabilidade de sempre, perante o Partido, o meu Presidente, os meus colegas de Direção Distrital e os militantes.
O próximo passo será a Direção Nacional ao lado de André Ventura? Será já no Congresso deste ano?
Ao lado do André Ventura estou sempre, seja em Braga ou em Lisboa. Fui eleito para mais um mandato na Distrital de Braga, estou muito feliz aqui, e como já referi no passado, estou sempre disponível para o meu Presidente, onde ele quiser e quando quiser.
Voltando ao tema das eleições do passado domingo. Uma maioria absoluta com três listas a sufrágio significa que os restantes candidatos não tinham a força que julgavam ter, ou o Filipe Melo superou as expetativas?
Olhe os outros candidatos conhecem-me, um mais do que outro é certo. E principalmente um deles sabe que eu e a minha equipa nunca perdemos uma eleição, até porque já trabalhou connosco.
O clima foi crispado, havendo muita polémica e ataques de parte a parte. E agora, como se saram estas feridas?
Com Halibut (risos). Agora a sério, todas as campanhas políticas são férteis em picardias, seja no Chega, no PS ou no PSD, faz parte do quotidiano politico.
Mas há feridas irreparáveis…
Repare, há uma equipa que ganhou, outras duas que foram derrotadas, e cabe à equipa que ganhou implementar e executar o seu programa.
O candidato da lista A à Mesa Distrital, Henrique Arantes, escreveu ontem nas redes sociais um longo texto no qual ataca Carlos Barbosa, líder da candidatura. Isto significa o quê?
Não vi, não posso dar opinião porque não vi mesmo. Mas, a ser verdade vem dar razão ao que eu sempre disse: uma equipa feita por conveniência, movida pelo ódio a um candidato e não por determinação, só podia dar nisto.
Havia ódio ao Filipe Melo por parte das outras listas?
Das outras listas não, da lista A.
Muitos deles foram seus colegas de Direção no último mandato. Porquê esse sentimento?
Essa é uma pergunta fácil, de resposta difícil. Repare, muitos elementos não tinham lugar na equipa que eu pensei e desenhei para um mandato difícil e ambicioso como este, o que causa natural desagrado. Outros já vem do passado, ou porque não foram incluídos na lista para Deputados, ou por outros motivos que não são relevantes neste momento. As eleições já passaram, e esta semana já começamos a trabalhar com toda a energia.
Permita-me uma ultima questão, em relação a Vila Verde. A Elisabete Rodrigues e o Álvaro Rocha são dois rostos muito ativos nas criticas ao Filipe, seja nas redes sociais, seja em entrevistas. Porquê estas reações?
São críticos? Não sei, sinceramente não vejo as redes sociais de toda a gente, e nestes casos em concreto não vi mesmo. A Elisabete trabalhou comigo algum tempo, neste momento já não trabalha, o Álvaro Rocha não sei quem é.
Álvaro Rocha é militante de Vila Verde, define-se como professor, cientista…
Desculpe, não conheço mesmo. Não conheço todos os militantes, são neste momento 2500 no distrito. Mas lembro-me de um professor cientista, o Eddie Murphy, no papel principal do filme “O Professor Chanfrado”, creio que do ano 1996 (muitos risos). Uma comédia excelente
E quanto à Elisabete? Vai continuar no Chega em Vila Verde?
Bom, acredito que irá continuar no Chega, como militante. Em Vila Verde? Acredito também que sim, é lá onde reside
Mas sem funções na Concelhia?
Acredito que sim, mas é uma questão que deverá colocar à Branca Malheiro.
A Branca será a Presidente da Concelhia e terá a seu lado o Júlio e a Luísa, e serão eles que escolherão o restante elenco. Comigo as concelhias têm essa autonomia, eu escolho quem lidera, eles escolhem os restantes.
Já que fala na Branca Malheiro, deixe-me perguntar: esteve na Juventude do PSD, entra para o Chega, e em menos de um ano está na Comissão Politica Distrital. Um grande salto…
Verdade, um grande e merecido salto. Saiu da segunda liga (PSD de Vila Verde) e vai jogar na Champions (Distrital do Chega). Já tive oportunidade de lhe dizer numa outra entrevista, a Branca é uma jovem com grande capacidade, fará um excelente mandato como Presidente da Concelhia e como Adjunta da Direção Distrital. Um ativo a ter em conta para o futuro, estejam atentos.
Só falamos de Vila Verde, e para as outras concelhias, quem serão as suas apostas?
Olhe, em equipas que ganham não se mexe. São os casos de Braga, Famalicão, Fafe, Esposende, Póvoa de Lanhoso, Cabeceiras e Barcelos. Aliás, em Barcelos vamos fazer uma alteração que se prende apenas com estratégia política. O António Jardim fez um enorme trabalho na Concelhia, teve um resultado muito bom nas autárquicas do ano passado, mas, como Líder da Bancada municipal do Chega no concelho, e com as responsabilidades acrescidas que terá neste mandato como Secretário da Distrital, fizemos uma troca com a Carminda Campos, outro nome muito conhecido do Partido, um excelente quadro.
Vai então manter os seus Vices à frente das respetivas concelhias…
Naturalmente. O Pedro Alves e o Filipe Aguiar são grandes quadros do Partido, são os Presidentes das concelhias desde 2022, Vice Presidentes da Distrital desde 2023, e têm feito um trabalho extraordinário e reconhecido como Vereadores. São dois ativos de excelência.
O Pedro Alves está suspenso preventivamente pelo Partido…
O Pedro é conhecido por todos como um grande político, um excelente amigo e cidadão, um chefe de família como poucos. Ninguém que conheça o Pedro acredita ser possível ter feito aquilo que o tentam acusar. O Pedro foi vítima do mau perder de alguns. Mas o processo está a seguir os tramites internos normais, e estou certo que será resolvido em breve. Contamos muito com o Pedro para os próximos anos e estará certamente a trabalhar com a mesma vontade de sempre.
Fafe, Cabeceiras e a vizinha Póvoa de Lanhoso, mantem os mesmos Presidentes. Significa que têm feito um bom trabalho ou é uma aposta na continuidade?
O Gilberto Nogueira é Presidente da concelhia de Fafe desde Dezembro de 2020. Fui eu que convidei o Gil logo que fui eleito, e desde então, foi o grande responsável pelo crescimento do Chega num concelho muito difícil, um concelho muito socialista. Em Cabeceiras o Presidente David Fernandes juntamente com o Francisco Alves e a Mariana Dias têm feito um trabalho excelente, de proximidade aos cidadãos, e vão por isso continuar. Na Póvoa mantém-se o José Diego, um histórico do Partido em Braga. Está comigo desde a primeira Distrital em 2020, é Presidente da Concelhia da Póvoa desde 2024, e foi recentemente eleito Presidente do Conselho de Jurisdição Distrital.
Muitos cargos num concelho muito exigente…
Para quem conhece o Diego sabe que ele está sempre pronto para trabalhar, é alguém sempre disponível, não vira a cara à luta. É daqueles que virá comigo até ao fim, um amigo e muito competente
Falta Esposende, que também não vai sofrer alterações…
Claro que não… o André Carvalho é um dos grandes ativos que temos na equipa. Aliás, o excelente trabalho que fez em Esposende nos últimos dois anos valeram a chamada para a Distrital, onde foi eleito Adjunto da Mesa da Assembleia. Um grande quadro, um dos que mais trabalhou pelo Partido nas eleições legislativas e autárquicas.
Estamos quase a terminar, mas ainda tenho algumas questões para lhe colocar, nomeadamente num dos concelhos fortes, Guimarães e da Juventude, que é uma aposta sua. Guimarães vai sofrer alterações pelo que percebemos…
Sim, naturalmente. O anterior Presidente da concelhia tem uma visão politica diferente da nossa, defendeu um programa diferente do nosso, é natural a sua substituição. Não é nada pessoal, considero o Nuno uma boa pessoa, mas politicamente temos visões e objetivos diferentes, só isso.
Já escolheu quem o vai suceder?
Sinceramente não. Isso será decidido em reunião de Direção Distrital, na próxima semana.
Mas tem alguma preferência?
Olhe, não é segredo para ninguém que temos dois quadros em Guimarães que eu sempre gostei. O André Almeida e a Monica Teixeira. O André é um político de mão cheia, faltam palavras para definir aquele homem. Um dos melhores autarcas do Chega a nível nacional, na minha opinião. Um homem dedicado e conhecedor, estuda imenso as matérias da Assembleia Municipal, conhece o Regimento de trás para a frente, e seria naturalmente a minha escolha. Mas o André já demonstrou a sua indisponibilidade num passado recente, até porque tem um função de elevada responsabilidade na estrutura Distrital, enquanto Coordenador autárquico. Isso faz com que ele e a sua equipa tenham de se deslocar várias vezes aos diversos concelhos para reunir com os nossos eleitos. Além disto, ainda tem a sua família e a profissão, não tem tempo.
Será então uma escolha difícil…
Não será nada difícil, temos em Guimarães muitos e bons militantes que podem ser considerados nesta equação. O Adão Pizarro, a Mónica Teixeira, o Rodrigo Freitas, sei la, são tantos e tão bons que vamos ter dificuldade em escolher (risos)
Uma das suas apostas fortes para este mandato é na Juventude. Quer falar um pouco sobre isso?
Sim, naturalmente. A Juventude é o motor e o presente e futuro dos Partidos políticos. Em Braga temos quadros excelentes. Repare a Lina Pinheiro, que tem feito um mandato excelente na Assembleia da Republica. A Teresa Borges, muito nova, Deputada Municipal em Famalicão, e é a representante da Juventude na Distrital, eleita como Adjunta da Direção. Mas há mais, a Luciana Antunes, o Tomás nosso autarca em Braga, a Rita também autarca em Braga, o André de Vila Verde, o Guilherme da Póvoa…todos estes farão parte da juventude distrital, e têm enorme potencial. Mas há outros, muitos outros que têm trabalhado em prol do Partido e que vão naturalmente começar a aparecer. Estamos muito bem servidos que quadros na Juventude, e continuaremos a formar e a lançar no panorama político.
Uma ultima questão: qual o seu desejo para este mandato?
Tenho dois: Ganharmos as próximas eleições Legislativas, sejam elas quando forem, e ver o nosso Presidente a governar o país. Além dessa, a outra é obvia, cumprir o nosso principal objetivo desta candidatura, que é vencer eleições no distrito, superando os outros Partidos e dando o contributo para o desígnio nacional.