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‘Guerras internas’ no CHEGA agravam-se após eleições distritais

As eleições para as distritais do Chega aprofundaram as divisões internas do partido liderado por André Ventura, com mudanças em metade das estruturas distritais, derrotas de vários deputados e pedidos de impugnação em diferentes pontos do país. A informação é avançada pelo Jornal SOL, que descreve um partido marcado por uma intensa disputa pelo poder…

‘Guerras internas’ no CHEGA agravam-se após eleições distritais

As eleições para as distritais do Chega aprofundaram as divisões internas do partido liderado por André Ventura, com mudanças em metade das estruturas distritais, derrotas de vários deputados e pedidos de impugnação em diferentes pontos do país. A informação é avançada pelo Jornal SOL, que descreve um partido marcado por uma intensa disputa pelo poder interno.

Segundo o SOL, das 20 estruturas distritais que foram a votos, dez elegeram novos presidentes e as restantes dez mantiveram os líderes em funções. Entre os principais derrotados estão quatro deputados: Rui Afonso, no Porto, Nuno Gabriel, em Setúbal, João Graça, em Faro, e João Tilly, em Viseu.

Em Santarém, a reeleição de José Dotti foi contestada pela candidata Manuela Estêvão, que avançou com um pedido de impugnação do ato eleitoral por alegadas irregularidades. Também em Bragança a candidata derrotada, Marisa Aranda, admite recorrer aos tribunais para contestar o resultado, enquanto em Setúbal um grupo de militantes formalizou igualmente uma impugnação do escrutínio.

Apesar do clima de contestação, algumas das principais distritais permaneceram nas mãos das atuais lideranças. Em Braga, Filipe Melo foi reconduzido com 56,5% dos votos, derrotando os deputados Carlos Barbosa e Paulo Ralha. Em Leiria, Luís Paulo Fernandes manteve-se na presidência distrital, enquanto Paulo Seco foi reeleito em Coimbra e Pedro Alves conservou a liderança em Aveiro.

O SOL refere ainda que as eleições evidenciaram o crescente peso da ala próxima do deputado Bruno Nunes, apontado por vários dirigentes como um dos rostos da contestação interna e como impulsionador de várias candidaturas que derrotaram dirigentes próximos da direção nacional. Uma publicação recente de Bruno Nunes nas redes sociais — “Sai de cena quem não é de cena” — foi interpretada por vários militantes como uma mensagem dirigida à atual liderança.

Confrontado com os resultados, André Ventura procurou desvalorizar os sinais de divisão, defendendo que a existência de várias candidaturas demonstra “vida, democracia e pluralismo” dentro do partido. O presidente do Chega garantiu ainda que continuará a trabalhar “com lealdade e harmonia” com todas as distritais, independentemente de serem lideradas por deputados ou por outros dirigentes.

Apesar da mensagem de unidade transmitida pela direção nacional, o SOL considera que o processo eleitoral interno expôs um partido dividido, com disputas entre diferentes fações e um crescente braço de ferro pelo controlo das estruturas distritais.

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