Fenprof pede demissão do ministro da Educação

Fenprof pede demissão do ministro da Educação devido aos problemas na correção dos exames nacionais

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) exigiu, esta quarta-feira, a demissão do ministro da Educação, Fernando Alexandre, considerando que o governante “não tem condições” para continuar no cargo, na sequência dos problemas registados no processo de classificação dos exames nacionais. A informação foi avançada pela SIC Notícias, com base em declarações da estrutura sindical.

Em conferência de imprensa realizada no Porto, a Fenprof acusou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação de ter conduzido a transição para a correção digital dos exames com “amadorismo” e sem um plano de contingência, apontando as falhas técnicas que têm marcado o processo desde o seu arranque.

“O ministro, perante o que tem acontecido, não tem condições para exercer a função de ministro da Educação”, afirmou Francisco Gonçalves, um dos secretários-gerais da Fenprof.

A estrutura sindical lançou também um abaixo-assinado contra as “graves deficiências verificadas no processo de classificação dos exames nacionais e suas consequências”, alertando para o impacto dos problemas nos prazos de divulgação dos resultados e nos pedidos de reapreciação das provas.

José Feliciano Costa, também secretário-geral da Fenprof, defendeu que os especialistas já tinham alertado para os riscos da mudança para o novo modelo de classificação digital.

“Foi um processo feito com amadorismo e sem um plano de contingência. E os resultados estão à vista”, afirmou, acrescentando que a organização prevê “milhares” de pedidos de reapreciação, o que poderá prolongar ainda mais o calendário do processo.

A Fenprof sustenta que a responsabilidade não se limita ao titular da pasta da Educação, defendendo igualmente alterações nas políticas adotadas pelo Ministério.

Pela primeira vez, as provas nacionais do 11.º e 12.º anos continuam a ser realizadas em papel, mas são digitalizadas antes de serem distribuídas aos professores classificadores. Nas últimas semanas, foram reportados atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta e falhas na plataforma eletrónica utilizada para a correção.

Na semana passada, o Governo anunciou o adiamento da divulgação dos resultados da primeira fase e do calendário da segunda fase dos exames devido aos constrangimentos técnicos. Na segunda-feira, o ministro Fernando Alexandre garantiu que os problemas estavam resolvidos e, numa entrevista à CNN Portugal, afirmou acreditar que a segunda fase dos exames, agendada entre 21 e 24 de julho, decorrerá de forma exemplar.

Entretanto, mais de 5.700 pessoas subscreveram uma petição que pede a anulação dos exames nacionais, sem prejuízo para os alunos, alegando que as sucessivas falhas técnicas comprometem a fiabilidade do processo de classificação.

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