“Não podem admitir isto dentro de portas”: Ralha fala de ameaças de morte no Chega Braga

O candidato à presidência da Comissão Política Distrital de Braga do Chega, Paulo Ralha, voltou a trazer para a discussão pública um dos episódios mais conturbados da história recente da estrutura distrital do partido, marcado por alegadas ameaças de morte, insultos e tentativas de agressão entre dirigentes.

Numa publicação divulgada nas redes sociais, Ralha recorda os acontecimentos ocorridos em 2025 e afirma que a sua candidatura surge precisamente para impedir que situações semelhantes se repitam. “O passado no Chega em Braga era feito disto. É contra estas situações que nos candidatamos. É contra estas atitudes que o Chega luta. E se o Chega não admite estas situações na política e na sociedade, os seus militantes também não as podem admitir dentro de portas”, escreveu.

O candidato acompanhou a publicação com um vídeo onde exibe uma notícia relacionada com o caso, utilizando o episódio como exemplo daquilo que considera ser necessário mudar na Distrital de Braga.

Caso levou a queixas e investigação

Os acontecimentos remontam a uma reunião da Comissão Política Distrital realizada em agosto de 2025 na sede do partido, em Braga. Segundo noticiou o jornal O MINHO, a reunião ficou marcada por um ambiente de elevada tensão, envolvendo acusações de ameaças de morte entre dirigentes e confrontos verbais que acabaram por motivar participações às autoridades e processos internos.

De acordo com a notícia publicada pelo jornal bracarense em novembro de 2025, um dos assuntos em discussão dizia respeito a alegadas ameaças feitas por Fátima Brito a António Jardim, então dirigente e candidato à Assembleia Municipal de Barcelos.

Segundo a ata da reunião citada pelo mesmo jornal, as ameaças teriam surgido após Jardim não incluir Fátima Brito entre os primeiros lugares de uma lista autárquica. O documento refere que a dirigente terá assumido as declarações que lhe eram atribuídas, tendo sido alvo de críticas por parte de vários participantes.

A mesma ata descreve ainda que, durante a reunião, Fátima Brito terá afirmado que iria fazer cair listas autárquicas em Barcelos por considerar que vários candidatos lhe deviam lealdade política. Entre as expressões relatadas no documento estão frases como “Vou para a comunicação social f*der o partido, vou rebentar convosco” e alegações de influência junto da direção nacional.

Alegadas ameaças a António Jardim

Segundo a mesma notícia de O MINHO, António Jardim relatou durante a reunião que tinha sido alvo de ameaças dirigidas não apenas a si, mas também à sua família.

De acordo com o relato constante da ata, ter-lhe-á sido dito ao telefone: “Vou f*der a tua vida, a da tua esposa e a dos teus filhos”. A publicação refere ainda que ameaças semelhantes terão sido repetidas num contacto telefónico efetuado para a esposa do dirigente.

Confronto envolvendo Paulo Ralha

A reunião acabaria por ficar igualmente marcada por um confronto entre Paulo Ralha e Carlos Barbosa, então deputado e presidente da Mesa da Assembleia Distrital.

Segundo a notícia do mesmo jornal, citando a ata da reunião, Carlos Barbosa terá acusado Paulo Ralha de ser um dos principais problemas do partido no distrito. O documento refere que, durante a discussão, o deputado se levantou e proferiu alegadas ameaças dirigidas ao atual candidato à Distrital.

Entre as frases atribuídas a Carlos Barbosa e reproduzidas pelo jornal encontram-se expressões como “Posso desgraçar a minha vida mas mato-te”, “Vou-te f*der todo” e “A minha vida política termina hoje, mas eu rebento contigo”.

A ata citada relata ainda que o deputado terá tentado avançar na direção de Paulo Ralha, sendo impedido por outros dirigentes presentes na reunião. O episódio acabou por provocar o encerramento dos trabalhos.

Na sequência dos acontecimentos, Paulo Ralha apresentou uma queixa na PSP de Braga. O caso chegou à Procuradoria-Geral da República, que determinou a abertura de um inquérito-crime, posteriormente remetido para investigação pelo Ministério Público de Braga.

“Credibilizar a Distrital”

Agora, durante a campanha para a liderança da Distrital de Braga, Paulo Ralha recupera este episódio para defender uma mudança de rumo na estrutura partidária.

Sob o lema “Credibilizar a Distrital”, o candidato afirma que pretende promover uma cultura política assente no respeito institucional, na responsabilidade dos dirigentes e na rejeição de comportamentos que possam afetar a imagem do partido.

Ao recordar um dos momentos mais polémicos vividos pela estrutura distrital, Paulo Ralha sustenta que Braga deve afirmar-se pela sua capacidade de mobilização política e não por conflitos internos, assumindo como objetivo pôr termo a episódios que, no passado recente, acabaram por envolver autoridades policiais e judiciais.

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