Milhões para salários, migalhas para apoios: empresa social de Guimarães debaixo de fogo
A Fraterna, empresa municipal responsável por vários apoios sociais no concelho de Guimarães, está no centro da polémica depois de se saber que cerca de 70% do seu orçamento anual é gasto em ordenados e encargos com pessoal.
Os números divulgados apontam para um orçamento global próximo de 1,8 milhões de euros. Deste montante, a maior fatia é absorvida pelos custos com recursos humanos, sobrando cerca de 300 mil euros para apoios sociais diretos a famílias, crianças, idosos e outras áreas de intervenção no terreno.
A revelação não passou despercebida ao atual executivo municipal, que considera excessivo o peso das despesas com pessoal numa entidade cuja missão principal passa pelo apoio à população mais vulnerável. Fontes próximas da autarquia admitem que o modelo de funcionamento da empresa está a ser analisado, não estando excluídas alterações à sua estrutura interna.
A Fraterna é financiada por várias entidades públicas, entre as quais a Câmara Municipal de Guimarães e a Segurança Social, além de recorrer a outros programas de apoio social.
O caso está a gerar debate no concelho, com críticas centradas na eficiência da gestão dos recursos públicos e na proporção entre os custos administrativos e o impacto real dos apoios prestados. Para muitos, a questão é simples e desconfortável: quanto do dinheiro destinado à ação social chega, de facto, a quem mais precisa.