Garraiada promovida pelo Município de Amares causa polémica e revolta
A publicação feita pelo Município de Amares nas redes sociais sobre a Garaiada, integrada na Feira Franca de Amares, acabou por gerar uma onda de contestação inesperada. Em poucas horas, a caixa de comentários encheu-se de críticas, muitas delas duras, dirigidas à imagem escolhida para promover o momento.
No vídeo, amplamente partilhada e ainda disponível durante várias horas, via-se um homem a segurar uma vaca pelos cornos enquanto outro a puxava pelo rabo. A cena, captada no auge da iniciativa, foi lida por dezenas de utilizadores como um instante claro de sofrimento do animal. Não foi preciso muito tempo para que surgissem reacções indignadas, algumas acompanhadas de apelos à remoção da publicação.
“Vergonha promover isto em pleno 2026”, escreveu um utilizador. Outro perguntava se a autarquia considerava aceitável divulgar imagens de um animal visivelmente em stress. Houve também quem falasse em maus-tratos e quem lembrasse que a tradição não pode servir de justificação para tudo. Pelo meio, comentários mais longos, assinados por residentes do concelho, revelavam desconforto com a forma como o evento foi comunicado.
A Garaiada, prática antiga associada às feiras populares da região, tem sido alvo de discussão recorrente nos últimos anos. Para uns, trata-se de uma tradição identitária, ligada à memória colectiva e à vivência rural. Para outros, é um costume desajustado aos tempos actuais, sobretudo quando envolve contacto físico forçado com animais.
Até ao momento, o Município de Amares não publicou qualquer esclarecimento formal sobre a polémica nem respondeu directamente às críticas deixadas na publicação. Ainda assim, a reacção nas redes sociais expôs uma fratura evidente entre a promoção de práticas tradicionais e a crescente sensibilidade pública em torno do bem-estar animal.
A Feira Franca de Amares prosseguiu no programa previsto, mas o episódio deixa uma questão no ar. Não tanto sobre a realização da Garaiada em si, mas sobre a forma como as instituições públicas escolhem mostrar, hoje, aquilo que durante décadas foi visto como normal.